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Bolivianos relatam jornada até as 22h e dois meses sem salário em fábrica de costura em Itaquaquecetuba

  • há 9 horas
  • 2 min de leitura

Três adultos, entre eles uma gestante, e uma criança foram encontrados no imóvel; trabalhadores também relataram dificuldades para deixar o local


Por Theo Leite


Famílias de origem boliviana relataram à Guarda Civil Municipal (GCM) de Itaquaquecetuba que estavam trabalhando em condições precárias em uma fábrica de costura localizada no Parque Piratininga. Entre as denúncias apresentadas aos agentes estão jornadas de trabalho que se estendiam até por volta das 22h, dois meses sem receber salários e dificuldades para deixar o imóvel onde trabalhavam e permaneciam.


A ocorrência foi registrada na quinta-feira (27), após uma equipe da Ronda de Proteção à Mulher, da GCM, receber uma denúncia durante patrulhamento pelo bairro. Segundo a Prefeitura, os agentes foram conduzidos até o endereço por um casal. Uma das mulheres que teria denunciado a situação conseguiu deixar o imóvel após perceber as condições de trabalho.


No local, foram encontradas famílias bolivianas, incluindo adultos e crianças. Segundo os relatos colhidos inicialmente, os trabalhadores atuavam na confecção de peças de vestuário e estavam no Brasil havia menos de dois anos.

Ainda de acordo com a Prefeitura, eles teriam sido atraídos por anúncios de emprego divulgados nas redes sociais, com promessa de remuneração de aproximadamente R$ 5 mil.


Os trabalhadores afirmaram aos agentes que estavam há cerca de dois meses sem receber pagamentos e enfrentavam dificuldades até mesmo para adquirir itens básicos, como leite e fraldas.


Jornada extensa e dificuldade para sair


Os relatos também apontam que a rotina de trabalho começava pela manhã e seguia até aproximadamente 22h.


Uma das situações que chamou a atenção dos agentes foi o relato de que uma das responsáveis pelo imóvel permanecia com a chave do local, o que, segundo os trabalhadores, dificultava a saída das pessoas que estavam ali.


Entre os adultos encontrados estava uma mulher grávida de aproximadamente seis meses. Conforme o relato apresentado à GCM, ela teria passado por atendimento médico apenas uma vez durante a gestação.


Condições precárias


A equipe também constatou condições consideradas precárias de higiene e organização no imóvel. Segundo a Prefeitura, havia sujeira acumulada, restos de alimentos, comida estragada na geladeira e banheiros e cômodos em condições inadequadas de limpeza.


Diante da situação, o imóvel foi preservado pela GCM para a realização de perícia e demais providências das autoridades responsáveis pela investigação.

As famílias foram inicialmente encaminhadas para a base da Guarda Civil Municipal, onde receberam alimentação e atendimento. Na sequência, foram conduzidas à Polícia Federal, responsável pelos encaminhamentos necessários.


Investigação


Em nota, a Prefeitura de Itaquaquecetuba, por meio da Secretaria de Segurança Pública, informou que a ocorrência será apurada pelos órgãos competentes. A investigação deverá verificar as condições de trabalho e moradia, além de eventual ocorrência de violações de direitos dos trabalhadores.


Até o momento, os relatos apresentados à GCM são tratados como informações iniciais e deverão ser confrontados com as demais provas e diligências realizadas pelas autoridades.


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